No Banner to display

quinta-feira, 29 de julho de 2021

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Polícia Civil planeja criação de grupo especializado no combate a crimes raciais e de intolerância em Goiás

O aumento considerável de crimes de ódio no Brasil assusta e evidencia a necessidade de se concretizar uma política de segurança mais humanizada e direcionada para as minorias.

O aumento considerável de crimes de ódio no Brasil assusta e evidencia a necessidade de se concretizar uma política de segurança mais humanizada e direcionada para as minorias. Seguindo o exemplo de outras capitais do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, a Polícia Civil de Goiás iniciou o processo de abertura do Grupo Especializado no Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (GEACRI-GO). A implantação oficial do projeto está prevista para o início de julho de 2021. Na tarde desta quinta-feira (17), o Delegado-Geral da Polícia Civil, Alexandre Lourenço, assinou a portaria de criação do grupo (Portaria n. 323/2021), juntamente com os membros do Conselho Superior da Polícia Civil.

A nova unidade de polícia deve atuar não só no  âmbito criminal, mas também na conscientização da população e resgate da cidadania das vítimas de racismo, discriminação e intolerância, seja ela por cor, etnia, religião, condição, orientação sexual ou identidade de gênero. Para isso será criado o GEACRI, grupo com policiais civis treinados e qualificados pela Escola Superior da Polícia Civil (ESPC) para a demanda específica desses casos.

O pedido de implantação da GEACRI-GO foi deferido pelo Delegado-Geral da Polícia Civil Alexandre Pinto Lourenço e aguarda análise da Superintendência de Polícia Judiciária, da Escola Superior de Polícia Civil (ESPC) e da Secretaria de Segurança Pública de Goiás. O delegado considerou, entre outros fatos, a ratificação do artigo 5° da Constituição Federal, que destaca a Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial, e Formas Correlatas de Intolerância, crimes que geralmente se manifestam na marginalização e a exclusão de grupos em condições de vulnerabilidade.

O GEACRI será instalado em prédio anexo à Escola Superior de Polícia Civil. Segundo o delegado Alexandre Lourenço, o local foi escolhido justamente para intensificar o compromisso da Polícia Civil em promover uma formação com foco  no reconhecimento das diferenças. “Sempre me chocou a forma com que o poder público trata as minorias e os comportamentos fora do que se estabelece como padrão. Por isso, tentamos trazer para o âmbito formativo dentro das academias  um olhar que pudesse propiciar ao policial a prática da empatia. Todo o policial que queira fazer parte da PCGO precisa entender, desde seu primeiro dia, que a lei não tem grades de filtragem e se aplica genericamente e efetivamente, independente da cor, credo e expressão. Só assim ele estará pronto para atender a sociedade”, ressalta o Delegado-Geral.

Alexandre Lourenço é especialista em Direitos Humanos e ensina o tema na Academia da Polícia Civil de Goiás. Para ele, a criação do GEACRI está passando da hora de acontecer e se constitui como a aplicação mais pura e singela do princípio da igualdade. “Nós da Polícia Civil, como promotores de Direitos Humanos, não poderíamos fazer diferente. Não podemos mais, por justificativa alguma, negar a nossa incursão nesse processo e a nossa atuação qualificada na repressão aos crimes de ódio”.

A instalação do GEACRI fortalece também a decisão do  Supremo Tribunal Federal de 2019, que criminaliza a homofobia e a transfobia, determinando que as discriminações fundadas em razão da orientação sexual ou identidade de gênero sejam punidas com a aplicação da Lei do Racismo (7.716/1989). Com a nova unidade especializada, crimes de gênero serão tratados de forma estratégica com mais agilidade e  amparo aos envolvidos.

O GEACRI é um marco na história da Segurança Pública de Goiás e afirma o caráter cidadão, justo e promotor da dignidade de toda a população goiana da PCGO. “Essa Unidade Especializada demonstra que nos preocupamos com a maioria e também com todas as minorias. Não estamos preocupados em tratarmos negros e comunidade LGBTQIA+ de forma diferente, pelo contrário, estamos criando essa Unidade exatamente para que as minorias recebam o mesmo tratamento que a maioria. Não estamos excluindo, estamos incluindo, não queremos um tratamento especial, mas um tratamento igual”, ressaltou o delegado Joaquim Adorno, que faz parte do grupo que elaborou a proposta de criação do GEACRI.

Polícia Civil

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on facebook
Share on twitter
Share on email

Últimas notícias

Mais 231.660 doses chegam a Goiás para novo reforço à vacinação contra Covid-19

Caiado anuncia promoção de policiais durante aniversário de 163 anos da PM e formatura de novos oficiais

Caiado anuncia espaço exclusivo para vereadores, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira

Governador destaca “reconhecimento ao trabalho desenvolvido na área social” durante homenagem recebida por Gracinha Caiado, em Anápolis